Home » Informação » Polônia relata perdas de R$ 6,9 trilhões na 2ª Guerra Mundial e pede reparações da Alemanha

Líder dos nacionalistas diz que parte importante do valor indeniza o país pela morte de mais de 5,2 milhões de poloneses

A Polônia estima suas perdas na 2ª Guerra Mundial causadas pela Alemanha em 1,32 trilhão de dólares (R$ 6,9 trilhões), disse o líder dos nacionalistas no poder do país, nesta quinta-feira (1°), acrescentando que Varsóvia exigirá oficialmente reparações.

Maior parceira comercial da Polônia e integrante da União Europeia e da Otan, a Alemanha já havia dito que todas as reivindicações financeiras relacionadas à 2ª Guerra Mundial foram resolvidas.

“Do 1,32 trilhão de dólares uma parte muito importante é a indenização pela morte de mais de 5,2 milhões de cidadãos poloneses”, disse o presidente do partido Lei e Justiça (PiS), Jaroslaw Kaczynski.

Segundo o relatório apresentado, 2,1 milhões de cidadãos foram deportados para trabalhos forçados para a Alemanha nazista. Cada um deles trabalhou, em média, dois anos e nove meses.

Após a guerra, e por causa das experiências pseudomédicas e detenções em campos de concentração, cerca de 590 mil cidadãos poloneses ficaram incapacitados. Entre 1939 e 1945, a Polônia perdeu 50% de seus advogados, 40% de seus médicos e 35% de seus professores universitários.

As perdas materiais foram estimadas em 170 bilhões de dólares e as ligadas a bens culturais e artísticos foram avaliadas em cerca de 4 bilhões de dólares. No setor bancário, foram calculadas em 18,8 bilhões de dólares.

A nova estimativa da Polônia supera a de 850 bilhões de dólares feita por um parlamentar do partido governista a partir de 2019. O partido no poder, Lei e Justiça (PiS), repetiu pedidos de indenização várias vezes desde que assumiu o governo, em 2015, mas a Polônia não exigiu oficialmente reparações.

“A soma apresentada foi adotada pelo método mais limitado e conservador e seria possível aumentá-la”, disse Kaczynski.

A postura combativa em relação à Alemanha, frequentemente usada pelo PiS para mobilizar seu eleitorado, estremeceu as relações com Berlim. A abordagem se intensificou depois que a Rússia invadiu a Ucrânia diante de críticas à dependência de Berlim do gás russo e sua lentidão em ajudar Kiev.

 

“Incrivelmente cruel”

“Não apenas preparamos um relatório, que é um documento aberto e certamente será concluído, mas também tomamos uma decisão, uma decisão sobre ações futuras”, acrescentou Kaczynski, “e essa ação é pedir à Alemanha que negocie essas reparações”.

“Os alemães invadiram a Polônia e nos causaram enormes danos. A ocupação foi incrivelmente criminosa, incrivelmente cruel e causou efeitos que em muitos casos continuam até hoje”, acrescentou.

A Alemanha rejeitou nesta quinta-feira a demanda da Polônia por reparações dos danos infligidos ao seu país na 2ª Guerra Mundial.

“A posição do governo federal não mudou, a questão das reparações está encerrada”, declarou um porta-voz do Itamaraty. “A Polônia renunciou a outras reparações há muito tempo, em 1953, e confirmou repetidamente essa renúncia”, acrescentou.

A soma das perdas da Polônia equivale a cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) anual da Alemanha, a quarta maior economia do mundo.

Os conservadores poloneses contestam a afirmação de que o país renunciou às reparações de guerra da Alemanha Oriental, região que permaneceu sob a órbita soviética (assim como a Polônia) após o conflito mundial, até a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a reunificação da Alemanha no ano seguinte.

Para a oposição liberal polonesa, o relatório sobre as perdas do país é principalmente para fins de política interna, um ano antes das eleições gerais.

“A iniciativa do PiS sobre reparações de guerra aparece há vários anos sempre que o partido precisa construir uma narrativa política”, disse Donald Tusk, presidente da Plataforma Cívica (PO), o principal partido da oposição.

“Não se trata de reparações da Alemanha, mas de uma campanha política” na Polônia, acrescentou, estimando que Jaroslaw Kaczynski quer “fortalecer o apoio ao partido no poder por meio dessa campanha antialemã”.

 

Fonte: R7, AFP com Reuters Foto: DOMÍNIO PÚBLICO

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